Na direção contrária – Parte 2

Meus sonhos me esperam voltar de uma escuridão na qual eu talvez não saiba o caminho de volta. Sento na cadeira. Escrevo e apago, recolocando às mesmas queixas e graças, abraçando quem eu sou no balanço de todas às etapas. Acordar, trabalho, pausa, trabalho, tentar relaxar. Dormir? Talvez. O ciclo é mais que um momento só meu, é a esfera que me rodeia. Aonde eu fui me meter?
Estou sozinha, tem sido difícil olhar para mim e me dá um abraço carinhoso. Penso em todos que precisam desse abraço, lembro que meu sorriso não é mais automático. Ponho os papéis agora organizados no local certo, em ordem alfabética, na ilusão de que algo ali vá facilitar a minha vida. Tento não pensar mais, enquanto isso meu coração já está acelerado. Como o tempo com qualquer detalhe. Se eu paro, posso reparar que estou quase caindo aqui dentro de mim.
Saio do trabalho sentindo que quero me encontrar comigo mesma! Corro para o mar. Não suporto mais aquilo que tem me engolido.

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O que está envolvido na construção de um texto?

É importante lembrar que às questões gramaticais não são os únicos fatores a serem considerados na construção da escrita. A maneira de elaborar o discurso, quais devem ser as ideias contidas ou quem vai ler são aspectos fundamentais para garantir a clareza de um texto.

Desse modo, numa produção textual três fatores podem ser observados:

  1. O produtor ou planejador: aquele que faz um planejamento, utilizando diversas ferramentas, para que o leitor compreenda o sentido do texto.
  2. O texto: o texto deve ser organizado de acordo com as intenções do planejador
  3. O leitor ou ouvinte: estratégias como contexto ou sinalizações são importantes na construção do sentido.

Por fim, construir um texto tem haver com planejamento, pesquisa, prática e muitas vezes amor.

A arte de tecer as palavras nos permite criar uma grande teia de ideias e con(textos).

Na direção contrária – Parte 1

O celular despertou às cinco horas da manhã! Mesmo com a dificuldade que eu tenho de evitar as preocupações, não queria sair da cama naquele dia. O dia havia iniciado complicado e diferente. Os pássaros cantavam na minha janela, mas não sei porque HOJE eles não me alegram. Em modo automático, me preparo para correr. Durante a corrida, sou só eu e meus pensamentos. Questiono a vida, por que eu não consigo encontrar meu estado de comodismo? Um simples ponto fixo. Talvez esse seja um bom motivo para se alegrar, embora também seja um grande fardo para carregar.
As coisas estão dando certo para mim, mas tenho planos que podem destruir tudo. Volto para casa. Ponho meus pés na parede que suporta a cabeceira daquela cama todos os dias, sabendo que aquilo sempre melhora meu cansaço diário e meus pés inchados depois de uma corrida. Preciso dessa pausa ou não conseguirei manter a rotina diária. Já são seis da manhã! Dou um pulo da cama, acabando com mais um momento de descanso necessário. A vida pode ser corrida, mas os meus sonhos sempre voltam e me acordam nas madrugadas, nas inúmeras vezes em que penso em desistir eles realmente me perseguem.

Sigo na constante pressa. Banho apressado, café da manhã frio, pães que levo comigo por não ter tempo para comer. Pego minha mochila com pressa e caminho na direção contrária de tudo aquilo que sonhei para mim. Há angústia. Frustração.

Vejo à criança despreocupada. Ela já deve ter ouvido para seguir os seus sonhos, ser alguém na vida. Lembro-me do dia em que percebi que para o mundo, eu não poderia ter as duas coisas. Então percebi: Crescer, nesse mundo, dói!

Tento focar na caminhada, mas os anúncios de cada calçada desfocam meu verdadeiro sentido. Ponho a mão no bolso para checar se esqueci às chaves e ver o relógio, são quase sete horas! Mais alguns passos e eu já não me sinto mais em casa. Cheguei ao trabalho. Agora sim, sete horas em ponto! Tenho minha vida, meu trabalho, mas o caminho dos meus sonhos me espera, bem ao lado.

Continua…

Por que precisamos de literatura?

Me deparei com essa pergunta inúmeras vezes na vida. Na escola (entre os alunos que detestavam as aulas de português e literatura), na faculdade com os estudantes ou profissionais de exatas e ainda entre aqueles que consideram a leitura como perca de tempo. Mas se a literatura é tão insignificante assim, porque ela existiu, existe e resiste até os dias de hoje?

A resposta é clara: usamos a literatura não apenas como forma de expressão de um sentimento ou opinião (como acontece com a poesia). Mas também para imprimir aspectos da realidade nas entrelinhas de um enredo. Como a cultura, a política ou os problemas sociais. A literatura brasileira, por exemplo, é um retrato escrito das várias fases da nossa História. É a forma criativa que encontramos para deixar um pouquinho daquilo que vivemos na Terra.

Os filmes também são ferramentas que nos contam histórias, exprimindo alguma realidade ou idéia. Porém, quando lemos um livro, há algo que não encontramos nos filmes: a nossa própria presença como parte da construção da história. Estamos ali, interpretando as páginas, imaginando cada detalhe descrito pelo escritor, de um jeito único que ninguém mais pode imaginar.

Além disso, a ciência nos propõe a mostrar ou provar como às coisas acontecem. Mas para isso é necessário que alguem pense de forma crítica sobre o passado, o presente e o futuro. E sabemos: a literatura tem o papel de despertar a imaginação humana.

Levando esses fatores em consideração, imagine que a literatura torna-se uma prática proibida. Imagine-se chegando em uma livraria e encontrando pilhas e mais pilhas de livros técnicos escritos a anos luz de seu nascimento. Imagine perder de vista o hábito de sentar sozinho em um lugar calmo e abrir um livro, pelo simples prazer de viajar por outros mundo. Imagine os roteiros, novelas, livros e a poesia amordaçada como um grande limite de caracteres em suas formas de expressão. Sentiu essa falta?

Não vai ter mais carnaval

O medo é real!
Conhecemos a História
Não vai ter escapatória
Não vai ter mais carnaval!

Do lado de cá
Tento ser confiante
Mas eu que sou extravagante
Tenho medo do que virá

A educação
Do filho do trabalhador
Que um dia quer ser professor
Faz apelo a uma nação

Pelas matas do meu Brasil
A terra demarcada
Cansada de ser desmatada
Morta entre outras mil

E os negros morrem primeiro
De tanto apanhar por seus direitos
E sofrerem os preconceitos
Desse seu nazismo carniceiro

As flores do campo morrerão
Se merecem ser estupradas
As artes amordaçadas
Por essa arma em sua mão

Seu voto é a arma usada contra o Brasil
Contra o negro, o homossexual, o pobre, o índio, a mulher…
“Tem que matar trinta mil!”

Meus versos soltos
São para mostrar
Que quando a luta continuar
Estarei ao lado dos loucos

Dos que entoam o grito (ELE NÃO!)
Dos que não são ouvidos
Dos que permanecem unidos
Por falta de opção.

Gêneros Literários: Fantásia

Desde a antiguidade, as pessoas usam imagens de seres mitológicos, seja para justificar suas crenças ou criar valores. As histórias contadas na oralidade passavam de geração a geração e retravam divindades, mistérios do universo, heróis desse ou de outros mundos e tempos, entre outros arquétipos do ser humano. Com o passar dos anos e o avanço da ciência, muitos mistérios foram justificados, crenças foram se tornando apenas mitos e o sagrado passou a ser cada vez menos valorizado. Mas as histórias continuaram presentes na vida das pessoas, como as lendas do folclore, os contos de fadas, entre outros.

Esse tipo de literatura é definido pela presença de um universo diferente da realidade. Segundo o crítico literário Roger Caillois, ela “manifesta um escândalo, uma ruptura, uma irrupção insólita, quase insuportável, no mundo real”.

As primeiras obras definidas como fantasia foram criadas no século XIX com o membro da irmandade pré-rafaelita William Morris, considerado o pioneiro do gênero com a obra “The Well at the World’s End” (o Poço no Fim do Mundo). Além dele, Edward Plunkett e Lord Dunsany foram os principais nomes do gênero no século XX.

Senhor dos Anéis
imagem: MHD

Em 1923, foi criada a revista norte-americana Weird Tales, primeira revista dedicada a fantasia. Desde então, diversas revistas foram criadas e o gênero passou a ser cada vez mais difundido. Importantes nomes da literatura fantástica foram surgindo, entre eles o escritor e filólogo J. R. R. Tolkien, criador de O Hobbit (1937) e O Senhor dos Anéis (1955) e o britânico C. S. Lewis, escritor dos sete volumes de As Crônicas de Nárnia (entre 1950 e 1956).

fatos harry potter (19)
imagem: awebic

O gênero continuou se popularizando nos dias atuais. Obras como o best seller Harry Potter (série de sete romances escritos entre 1998 e 2007 pela escritora J.K. Rowling) tornou-se um sucesso da literatura e foi adaptado para o cinema, assim como O Senhor dos Anéis. Além da televisão, podemos encontrar a fantasia nos jogos eletrônicos e no RPG de mesa.

fatos harry potter (10)
imagem: awebic

A fantasia é dividida entre os subgêneros: fantasia sombria (com elementos do terror), a alta fantasia (com a presença de mundos alternativos), a baixa fantasia (quando acontece no mundo real), a fantasia romântica (que envolve temas românticos, como amor ou drama) e a fantasia científica (com elementos da ficção científica).

 

Referências:

INFO ESCOLA

https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-fantastica/

WIKIPÉDIA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fantasia_(g%C3%AAnero)

Nova Canção do Exílio

Minha terra tem topeiras
Que não sabem argumentar.
Arriscando a vida alheia
Por preguiça de pensar.

É melhor no céu uma estrela
Que nos túmulos mais flores.
O meu voto é pela vida!
Com suas tribos, raças, cores.

Mas cismam que o açoite,
É a forma de mudar!
Minha terra tem topeiras,
Que não param pra pensar.

Terra que viu os horrores
De um regime militar.
Em cismar, sozinha, à noite,
Me proponho a questionar:
Como multidões inteiras
Acham que o certo é matar?!

Não permita Deus que eu morra,
Sem poder rememorar
As prisões, lutas e dores
Que tentaram me calar.
Meu nome é Democracia,
Me escolha ao votar!”

(Autor desconhecido)

Gêneros Literários: Terror

 

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Imagem: Segredos do mundo

Estamos no mês do Halloween e nada melhor que começar essa série de conteúdos sobre os gêneros textuais com o Terror. Até o século XVII, o gênero foi influenciado pelas lendas, pela religião, pelo folclore e por mitos contados afim de explicar diversos fenômenos do universo. O medo, principal emoção explorada nas obras, era bastante usado como forma de dominação principalmente pelo cristianismo. O inferno era visto como forma de punir os pecadores.

Depois do século XVIII, com o iluminismo, houve uma necessidade maior de explicar o mundo de forma racional. O homem foi afastado da natureza e diversas áreas da ciência avançaram.

Nesse momento surgiram os elementos da literatura Gótica, como fantasmas considerados sobrenaturais. Esses elementos podem ser encontrados no gênero horror, que se diferencia do terror pela presença do sobrenatural enquanto o terror foca-se na construção do suspense. Um exemplo de romance gótico é O castelo de Otranto de Horace Walpole, escrito em 1764.

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Imagem: Jovem Nerd

No século XIX, com o a valorização da ciência, as obras passam a se basear na racionalidade, como a obra de Maru Shelley, Frankenstein (1818) que teve como base as experiencias de Luigi Galvani. A psicologia e a psicanalise passam a explicar fenômenos antes vistos como possessão demoníaca ou por espíritos, dando outra visão para as narrativas, razão pela qual o terror pode ser associado tanto a fantasia quanto a ficção científica. Alguns dos principais nomes do gênero terror são Bram Sloker (1847 – 1912), que escreveu Drácula (1897), Edgar Allan Poe (1809 – 1849) e Ambrose Bierce (1842 – 1914).

No século XX, há uma exploração do espaço como cenário das obras de terror. Surge um novo conceito: o Horror Cósmico. Idealizado por Love Craft, autor do ensaio O Horror Sobrenatural na Literatura. Ainda no século XX, o drama passa a fazer parte do gênero como forma de atingir o público cada vez mais cético, trazendo conflitos pessoais dos personagens, como a obra O exorcista (1971) de William Peter Blatty e as obras de Stephen King.

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Imagem: Mundo Intrigante

 

Segundo Robert McKee, o terror pode ser dividido em três subgêneros: mistério (fonte do terror assombrosa, sujeita a explicações racionais), sobrenatural (fenômeno irracional do mundo dos espíritos), super mistério (público tenta adivinhar de qual subgênero é o fenômeno). Além disso, o gênero é composto pelos seguintes elementos: fusão (soma de duas condições contraditórias no mesmo ser), fissão (soma de condições, com divisão atemporal, no mesmo ser), magnificação / massificação (violação da natureza. Algo maior ou em maior número que o natural), metonímia (o ser é rodeado por elementos fóbicos).

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Referências:

Formiga Elétrica

https://formigaeletrica.com.br/livros/terror-na-literatura/

Livro nas mãos

http://livronasmaos.blogspot.com/2013/01/genero-literario-terror.html?m=1

Da Literatura

http://www.daliteratura.com.br/2017/10/o-que-e-terror.html?m=1#

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